quinta-feira, 13 de novembro de 2008

.Guarda a Chuva.


Daqui de dentro, da sala, escuto a chuva lá fora, ela parece gritar, e o vento frio que penetra por entre as frestas da porta e das janelas parecem me molhar, assim, finjo senti-las.


Observo os chuviscos que parecem brilhar, quando passam rente de um poste aceso da rua, no meio da noite.
Vejo as gotas de chuva que escorrem de cima até embaixo da janela, parecem com lágrimas escorrendo, elas limpam as partes do vidro que estavam embaçadas devido ao vento, onde tentei alguns desenhos e escrevi algo...
Da janela do prédio, os automóveis parecem até vultos luminosos, que vão e vem no meio da rua, estes que também saem rasgando as poças d’águas no chão, com seus pneus cantantes.
Observando longe, vêem-se as luzes da cidade, algumas são alaranjadas, outras amarelas, umas brancas, outras vermelhas e até azuis, devem vir desde, luzes de casas, até, placas de propaganda, não dá pra ter tanta certeza, porque a chuva tira muito o campo de visão sobre o horizonte. Olhando pra cima não vejo muito também, até procurei, mas achei nada mais, além de nuvens, está muito nublado, mas isso não torna o céu feio, ou, sem graça, aprendi a contemplar o tempo de sua forma, e não por seu momento e estado, e quando se admira o céu por aquilo que ele é, ele sempre de uma forma, ou de outra, será bonito.
Tento escutar, em meio ao som da chuva, se tem alguém conversando lá fora... Se estiver é porque ele não esta
se molhando sozinho, talvez esteja com guarda-chuva, cada um com o seu, ou dividindo um, os dois, assim, seria mais divertido... Talvez esteja só ou tenha ninguém... Mas não escuto nada, a chuva não deixa, dai então, foi só imaginação minha.
Daqui de dentro, parece que está tocando musica lá fora, e eu queria ser o compositor dela. Correr e molhar apenas pela sensação mesmo, sentir o frio forte e fingir que por um momento aquilo não tem como fazer mal a ninguém... Pergunto-me agora, quantas pessoas estão vivendo essa chuva, quantas estão se molhando lá fora, por vontade de se molhar e nada mais... A gente vive muito, quando observa e sente a chuva com um olhar sonhador.
A vida dessa forma, parece nos enganar, torna-se tão tranqüila, e assim, sentimos livres... Mesmo, algumas vezes até presos, dentro de nossas casas.


A chuva forte que antes parecia gritar agora parece muito calma, e toda a vontade que eu tinha de sair de dentro de casa esta se confundindo com o sono, que veio junto ao convite que recebi, do chuvisco e do frio, para ir até a cama e dormir. Vou para o meu quarto, o som da chuva também parece bom de lá.
Outro dia eu conto essa história do outro lado, caso tenha sorte de estar lá quando a chuva começar. Bons sonhos. U


Gustavo Mello




Obs.: Desta vez eu não queria que estivesse aqui, eu queria ter estado lá.
...Boa noite de chuva pra você, durma bem. =)




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