
Era uma manhã, dessas de sol forte e de céu azul claro, e foi quando da praia até sua casa, sob ajuda do vento, o mar o chamou, em sua subsistência, para fugir... E assim continuou.
O vento balançava sua janela e empurrava contra a parede, como se cada vez, gritasse mais alto para que ele pudesse, em algum momento, ouvir... De sua janela perto ao mar, podiam-se ver quase tudo, mas nunca, até então, havia escutado aquilo, foi chamado pela última vez (parecia), e com medo de perder sua chance, em resposta, de súbito levantou-se de sua cama e assim o fez... Preparou-se para partir.
O dia mais esperado de sua vida, jogou talvez, tudo para o alto, do pouco ou do nada que tinha. Havia tomado sua decisão com ajuda do vento, que ali, por ele, sempre esteve. Aquilo para ele era como uma reza, apenas acreditava, pois soubera que tinha perdido tempo demais em toda sua vida... Estava prestes a ir embora de todos, e de tudo que vestiu sem lhe servir.
Era alguém que vivia de esperas, por algo e alguém, esperava da vida, a vida e o tempo eram tudo que tinha e que não tinha ao mesmo momento, achava ter segurança... Mas no fundo sempre soube, que aquilo na verdade era, o maior perigo de todos os quais estava correndo; a vida que seguia...
Agora nada mais temia, ou, fingiu, nada mais temer...
Pegou seu barco, retirou todas as amarras que havia e de dentro de si, atropelando ventos e terras, correndo como se preparasse vôo, como se quisesse saber mais antes de aprender, afobado, a fim de não perder mais tempo, jogou-se junto de seu pequeno e velho barquinho, mar adentro.
Por ele percorreu sem fim, sem saber onde ir, e sem se preocupar onde chegar... Acreditavam-se muitos anos atrás, que depois do horizonte que se via defronte ao mar, chegar-se-ia ao inferno, mas este acreditava, que talvez fosse o paraíso, o seu... Mas, isso era por ele.
De dia o sol refletia a água, de noite era a vez da lua, das estrelas e de tudo que “passasse” pelo céu... Era tudo que via, quando não havia muitas nuvens cobrindo sua visão. Na verdade era tudo que queria ou precisava ver, mesmo de olhos fechados... Sonhando.
Então ele continuou, e seguiu, acreditava também assim, aprender sempre mais...
chegou certa hora que este alguém, apagou dentro do horizonte, como uma estrela que some de noite quando chega o dia... O mastro apagou-se, como se tivesse mergulhado fundo ao mar.
O mesmo desapareceu. E nunca existiu notícia desse alguém... Dentro de muitos.
Mas para outros, continua navegando, indo longe, enfrentando medo e descobrindo cada vez mais... Mar adentro. M
Gustavo Mello
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